Monumento a Lauro Sodré: memórias do poder

 

No coração do bairro de São Brás, em Belém do Pará, ergue-se o monumento a Lauro Sodré. Está localizado na Praça Floriano Peixoto, na confluência das avenidas Magalhães Barata, José Bonifácio e Almirante Barroso. A homenagem a Lauro Sodré é formada por um conjunto de elementos monumentais e rodeada pelo mercado do bairro e pela caixa d’água de ferro inaugurada em 1885, com 20 metros de altura. A história do monumento reativa a conexão entre duas lideranças políticas do Pará, Lauro Sodré, o homenageado, e Magalhães Barata, idealizador da homenagem. Duas personalidades que acabaram também imortalizadas pelas lembranças que se avizinham na paisagem arquitetônica e urbanística de São Brás, seja pelo conjunto monumental, seja pela construção do Memorial, próximo dali, este em homenagem ao próprio Magalhães Barata.

 

Histórico

Inaugurado em 10 de junho de 1959, o monumento foi construído por solicitação do então governador do Pará Magalhães Barata para comemorar o centenário de nascimento do líder político Lauro Sodré, ocorrido em 1958. Mas o idealizador acabou por não participar da inauguração da obra, já que morreu 12 dias antes, em 29 de maio de 1959. O governo investiu cerca de 11 milhões de cruzeiros (o equivalente a mais de R$ 20 milhões, em valores atualizados em 2013) na homenagem. O conjunto de elementos monumentais é constituído de três grupos escultóricos, distribuídos pela praça, que possui 76 metros de comprimento por 26 de largura. É do arquiteto paraense Francisco de Paula Lemos Bolonha o projeto do conjunto monumental, cujas obras foram realizadas sob o comando do engenheiro Nicholas Chase. Já as esculturas foram criadas pelo artista paulista Bruno Giorgi.

 

O conjunto Escultórico

A estátua do Lauro Sodré, em bronze, é obra central do primeiro grupo escultórico e também destaque principal do conjunto de elementos monumentais. Traz a figura de um homem sentado, em meditação. Está situada sob uma cobertura e sobre um “espelho d’água”, espécie de piscina. A escultura e o próprio conjunto remetem à figura e aos feitos do líder político homenageado, Lauro Sodré, que foi duas vezes governador do Pará, de 1891 a 1897 e de 1917 a 1921. Nascido em Belém, em 1858, e falecido no Rio de Janeiro em 1944, Lauro Nina Sodré e Silva foi militar e político republicano, sendo fundador do partido republicano no Pará e o primeiro a governar o Estado após a promulgação da primeira Constituição republicana brasileira, em 1891.
Pelos passeios chega-se ao segundo grupo escultórico, onde, em um mural, sob o ponto de vista do observador, estão três figuras em bronze, que representam o Trabalho, à esquerda, as Artes, à direita, e a República ao centro. O mural está ligado a uma escada e situa-se entre o primeiro e o terceiro grupos escultóricos.
O terceiro grupo escultórico é constituído por um obelisco com 20 metros de altura. Na parte superior está a Vitória, figura em alumínio que possui 5,30 metros de altura. Pode-se circular pelos três grupos escultóricos pelos passeios revestidos de pedras brancas que se encontram na praça Floriano Peixoto, também constituída de partes ajardinadas.
 
 
Texto: Carmen Silva e Ana Cláudia Melo
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