CORETO CENTRAL DA PRAÇA BATISTA CAMPOS: DA MÚSICA À COMUNIDADE

Para conhecer os logradouros públicos da cidade de Belém, uma das passagens obrigatórias é pela Praça Batista Campos, no bairro de mesmo nome, em homenagem ao Cônego Batista Campos, uma das lideranças do movimento da Cabanagem, revolta popular que ocorreu de 1835 a 1840 na então província do Grão-Pará em resistência ao poder imperial. O local onde ergue-se a praça já foi inicialmente denominado, no século XIX, de “Largo da Salvaterra” e, depois, de “Praça Sergipe”, quando já tinha deixado de ser propriedade privada para pertencer ao Poder Público Municipal. Na virada para o século XIX, já na administração do intendente de Belém Antônio Lemos, a praça recebe o nome de Batista Campos. Ainda nesta fase, a praça possuía poucas benfeitorias, apenas um canteiro central, um chafariz e algumas árvores.

 

Histórico da praça

Em 1901, a praça foi fechada ao público para reforma, idealizada e executada pelo intendente Antônio Lemos, considerado um dos principais governantes da capital paraense pelo seu empenho em urbanizar, embelezar e modernizar a cidade. Durante a restruturação, a praça recebeu jardins, pontes, bancos, caramanchões e até uma pequena torre de castelo com inspiração medieval. Mas os principais elementos introduzidos na reforma foram os coretos, cujo principal deles, colocado ao centro do logradouro, substituiu o chafariz que ali se localizava. Assim como outros na praça instalados à época, o Coreto Central é feito em ferro pré-fabricado e foi importado da Alemanha. Na reinauguração da praça, em 15 de novembro de 1904, a Banda do Corpo Municipal de Bombeiros também inaugurou o então batizado de Pavilhão Harmônico 1º de Dezembro, em homenagem à coroação de Dom Pedro I como Imperador do Brasil (1º de dezembro de 1822) e também em alusão ao Laudo de Baena, sobre a questão do Amapá.

 

Conheça o Coreto Central

Além da estrutura em ferro, o Coreto Central, que por mais de 100 anos foi denominado Pavilhão Harmônico 1º de Dezembro, o que ressaltava sua destinação para exibição de apresentações musicais, possui escada com seis degraus, que dá acesso à parte interna do monumento, composto de gradis circundantes decorados e pavimento em mosaico. O alicerce, em alvenaria, tem um metro de profundidade e 60 centímetros de largura e do nível da terra há armação com 1,65 metro x 0,50 metro. O coreto é rodeado por um canteiro ajardinado onde localiza-se, atualmente, a placa em homenagem ao advogado Egydio Sales, que atuou na defesa e preservação da praça. A placa foi colocada em cumprimento à Lei municipal 8.516, de 30 de maio de 2006, que determina que o Coreto Central da Praça Batista Campos passe a ser denominado “Coreto Egydio Machado Sales”. Também por decisão municipal, o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Praça Batista Campos foi tombado como patrimônio em 9 de agosto de 1983.
O Coreto Central possui ainda planta de 12 lados e é composto por 24 colunas de ferro, das quais seguem 12 fortes vigas arqueadas, formando o amparo da cobertura, feita de madeira recoberta de um preparo especial de tela de alcatrão e zinco. No teto há ainda uma abertura, o lanternim, que permite a ventilação natural, posto no cume um mastro metálico. Nas pontas de cada lado da cobertura há gárgulas metálicas em formato de cisnes, que tem a função de escoamento das águas da chuva. Para o escoamento das aguas pluviais do pavilhão, foram colocados ainda nove metros de tubos de grés, aproveitados da Praça Republica. Após a reestruturação feita por Antônio Lemos, a praça passou por outra reforma realizada durante a administração municipal de Coutinho Jorge e o governo estadual de Hélio Gueiros, quando foram recuperados aspectos originais e acrescentados outros como parte do Projeto de Restauração de Praças e Parques Públicos, integrante do Programa Verde para Belém. Reinaugurado em 29 de agosto de 1986, o logradouro também é preservado com a ajuda da Associação dos Amigos da Praça Batista Campos (AAPBC), criada em 1997.
 
 
 
Texto: Carmen Silva e Ana Cláudia Melo
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